sexta-feira, janeiro 28

animah

Foi então que a vi. Era negra e reluzente. Levantei-a do chão e com ela um conjunto de fios verdes e brilhantes como habitados por pirilampos.
Não trazia rótulo como as anteriores e os fios que saiam de uma pequena concavidade na zona inferior entranhavam-se ainda na terra animados.
Ao calor das minhas mãos passou de uma massa oval para algo que se assemelharia a um pequeno humanóide. Saberia agora quem deveria assassinar. Lentamente. Membro a membro. Por fim a face.
Encontrei no seu rosto a mesma expressão, os mesmos olhos inquietos, as mesmas patilhas, os mesmos pêlos rudemente barbeados…
Era a minha imagem… então sorri. Ele sorriu-me de volta, e rebentou.
E nesse instante, a minha mente arrastou-me até àquele momento único em que sentira o sol escapar-se por entre duas nuvens carregadas de chuva até alcançar o terreno onde me encontrava. Sentado mas inquieto, queria fazer coisas, ir até ao fim do mundo sem fazer perguntas, destruir quem se atravessasse no meu caminho. Ao meu lado, ela mantinha os olhos fechados, a minha mão enrodilhada nos cabelos longos. Ela não me conhecia, não sabia que eu era capaz de matar e de ansiar por esse instante. Eu ainda era jovem…
.Blogger framboesa 29/1/05 10:25 da tarde